
Filha da puta! Ela não podia ter feito isso! Não antes de 2058, caralho! A Dercy era as tetas da loira e da mulata chocando e seduzindo conservadores pela Sapucaí! Era o quebrar das pernas dos falsos moralistas. Não podia ter morrido agora! Tão cedo!
Penso que a Dercy foi uma punk anacrônica (me ocorreu agora que talvez ela tenha inspirado o visual do Supla. Digressão!!!). Ela chokou! E chocou de forma tão natural que eu, às vezes, sentia inveja do fato de ninguém nunca ter lavado a boca dela com sabão Ipê (dúvida por que?). E, certamente, precisaríamos de Dercy e sua boca suja por mais muito tempo por aqui para tentar pôr fim à prática da lavação de línguas e assistirmos ao fracasso da indústria dos saponáceos.
Pouco me importa que os palavrões tenham surgido na vida da bonitona como ferramenta para o ganha-pão (aliás, dinheiro sempre foi uma coisa que ela não escondeu de ninguém que gostava muito). Isso não tira o mérito de Dercy. Talvez só acrescente mais, aliás. Porque ganhar a vida e um país inteiro mandando todo mundo ir se foder, tomar no cu e pra puta que o pariu beira a genialidade.
Lembro dela em “Deus nos acuda”. A lembrança é vaga. Acho que ela era um anjo. (¿ou uma deusa?) Não sei! Mas a ironia não fica por aí. Ela nasceu, em 1907 (há controvérsias), em uma cidade chamada Santa Maria Madalena. Não entendo muito de hagiologia (Não sabe o que é, joga no Google, folgado! Tive muito trabalho pra descobrir essa palavra pra ir entregando assim de mão beijada!rs), mas Maria Madalena não é a puta que ganhou o perdão e sabe-se lá mais o que de Jesus?
Por falar no Rei dos Judeus, fazendo um briefing de mídia sobre a impudica Dercy, vi uma recente participação dela no programa do Sílvio Santos “Nada Além da Verdade”. Quase uma hora sem acréscimo cultural algum. Fantástico!!! Quase uma hora de gargalhadas. Só Dercy teria coragem de dizer em alto e estridente som na cara do rei dos judeus contemporâneo que “porra” não é palavrão. “Você é feito de porra! Eu sou feita de porra! Porra não é palavrão!”, disse voltando-se a Senor Abravanel.
Mas o diálogo genial veio quando a filósofa Dolores Costa Gonçalves falou que não ama ninguém (Também no meu briefing de mídia, vi uma entrevista dela com Marília Gabriela, quando ainda tinha 70 e poucos anos (A Dercy, não a Gabi). No bate-papo, Dercy faz uma intrigante colocação sobre uma possível receita para se manter conservada. Na época, um tanto mais comedida, disse serenamente à Gabi: “Eu não amo, não odeio, não tenho saudade e nem ódio”. Interessante. Muito interessante.).
Mas voltando ao “Nada Além da Verdade”, quando Dercy falou ao rei dos judeus que nunca havia amado ninguém, ele tentou argumentar. E veio a pérola:
- Dercy, você já mudou de vida e deixou tudo para trás por um grande amor?
- Não! Eu nunca amei!
- Mas, Dercy, tem um poeta famoso que diz que "quem passou pela vida e não amou, não passou pela vida".
- ESSE POETA AÍ É UM VIADO! (no tom estridente de costume) Ele não sabe o que passa em mim! Eu sou eu, ele é ele!
Kakakakakaka Esse poeta aí é um viado!!!!
Acho que ela durou tanto porque sabiam que não existiria outra igual. E creio que não existirá mesmo. Talvez a Gra, minha companheira de república, chegue perto disso, mas ainda não estou certa.
Graaaande Dercy! Acho que, quando ela nasceu, não chorou! Gritou: “Puuulta que pariu! Que buceta apertada!”
E Ary Fontoura disse sabiamente ontem, 19 de julho:
- Vai-se Dercy, ficam os palavrões mais carinhosos!